Mostrar mensagens com a etiqueta FERNANDO PESSOA. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta FERNANDO PESSOA. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

que mais te direi eu?


Amemo-nos tranquilamente, pensando que podíamos,
Se quiséssemos, trocar beijos e abraços e carícias,
Mas que mais vale estarmos sentados ao pé um do outro
Ouvindo correr o rio e vendo-o.

(...)

Ao menos, se for sombra antes, lembrar-te-ás de mim depois
Sem que a minha lembrança te arda ou te fira ou te mova,
Porque nunca enlaçamos as mãos, nem nos beijamos
Nem fomos mais do que crianças.

Ricardo Reis, Vem sentar-te comigo, Lídia

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Mestre, eis-me aqui!



Chamam-te louco e ninguém te entende. Nunca são capazes de se pôr no teu lugar, de ver em si próprios o que tu vias em ti. Parece-lhes sempre tudo tão estranho, tão confuso.
Mas eu não! Eu vejo em mim o que tu vivas em ti.
Vejo múltiplos "eu" a sair de mim, a questionar o que eu não questiono, a caminhar em direcções diferentes. Sei bem o que vias, sei bem o que procuravas e ninguém precisa de saber o que só nós dois sabemos!
Posso não ter a capacidade de criar com crias-te, de transmitir as palavras como algum dia tu podes-te transmitir mas não me importo, eu percebo-te como se o que dizes fosse eu a dizer.
Eras e sempre serás um mestre! Podem mudar-se os tempos, o país e o mundo que tu serás eterno e lembrado por quem chegar amanhã, daqui a um mês ou daqui a um ano.
A tua obra é de eterna sabedoria e de um amor pela pátria que nunca ninguém conseguirá atingir.
De uma coisa te posso garantir, és um mestre em qualquer canto do meu mundo! As tuas palavras fazem sempre sentido, soam sempre bem e são do mais puro para o meu coração.
Por isso, com este pequeno recado, quero dizer-te que cada vez gosto mais de ti e que és o melhor que um aprendiz pode ter como exemplo, o melhor mestre para quem um dia querer ser um Supra-Pessoa.
A ti te digo: "É a hora!"!

sábado, 8 de janeiro de 2011

o mestre!









Ser descontente é ser homem.

O Quinto Império, Fernando Pessoa in Mensagem

sábado, 4 de dezembro de 2010

não sei se é amor que tens!


Não sei se é amor que tens, ou amor que finges,
O que me dás. Dás-mo. Tanto me basta.
Ricardo Reis

domingo, 31 de outubro de 2010

acreditem, lutem, sejam felizes!



Quando sofremos a primeira derrota...
Quando alguém sopra e desaba algo em que depositamos toda a nossa alma a tentar construir...
Quando alguém nos encurrala...
Quando alguém nos verga...
Quando caímos...
Quando nos corta-mos...
Quando alguém nos usa...
Quando nos desprezam...
Quando sentimos que não temos mais para dar...
Quando todos nos dizem para desistir...
Quando todos dependem de nós e falhamos...
Quando nós dependemos de alguém e esse alguém nos falha...
Quando alguém próximo morre...
Quando estás rodeado, mas estás só...

Dói!

E volta a acontecer...
e dói de novo!...

E recuperamos e não desistimos...
E prometemos e ganhamos esperança...
E trabalhamos e subimos e crescemos e sonhamos...

E dói novamente...

Aquela facada no peito,
Aquela garganta apertada que nos faz lutar só para conseguirmos respirar,
Aquela lágrima que tentamos esconder, mas ela insiste em se mostrar...

Até que...
Um dia...
Tudo acontece de novo,
Mas já nada sentimos...
Estamos cá...mas já não estamos
Nada nos assusta

Estamos mais fortes...ou simplesmente dormentes?

Quando um dia se depararem com esta pergunta...
Não esperem pela resposta
Tenham a ousadia de insistir, de não baixar os braços, de tomar iniciativa, de mudar, de experimentar, de querer vencer!

Se não procurarmos a nossa sorte ela não nos vai encontrar!

"Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo."

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

AVÉ FERNANDO PESSOA!

Fernando Pessoa

Foi um momento

Foi um momento
O em que pousaste
Sobre o meu braço,
Num movimento
Mais de cansaço
Que pensamento,
A tua mão
E a retiraste.
Senti ou não ?
Não sei. Mas lembro
E sinto ainda
Qualquer memória
Fixa e corpórea
Onde pousaste
A mão que teve
Qualquer sentido
Incompreendido.
Mas tão de leve !...

Tudo isto é nada,
Mas numa estrada
Como é a vida
Há muita coisa
Incompreendida...

Sei eu se quando
A tua mão
Senti pousando
'Sobre o meu braço,
E um pouco, um pouco,
No coração,
Não houve um ritmo
Novo no espaço ?
Como se tu,
Sem o querer,
Em mim tocasses
Para dizer
Qualquer mistério,
Súbito e etéreo,
Que nem soubesses
Que tinha ser.

Assim a brisa
Nos ramos diz
Sem o saber
Uma imprecisa
Coisa feliz.