Queria que tivesses entrado por aquela porta hoje. Precisava tanto de mimos infindáveis e de promessas de amor que nunca vão ser realizadas!
Hoje queria o teu cheiro no meu quarto, o teu toque no meu corpo, a tua voz ao meu ouvido, o teu mundo no mundo. Seria mais um dia vivido em segredo, contado apenas às paredes da minha casa que nunca se irão abrir a ninguém.
Onde estás? Porque não estás aqui em casa? Porque não me ligas, não me surpreendes? Porquê?
Pois, perdeu-se tudo. O que antes eram juras agora são rajadas de vento levadas por um Verão sem sabor. Tu assim quiseste. Foste embora sem dizer nada e eu deixei-te solto porque achava que vinhas outra vez. Estava enganada!
ando muito desiludida com o blog... não consigo ter o rendimento que tinha e parece que até vocês perderam o interesse por ele!
fico mesmo triste por o ter assim tão parado e sem ritmo, mas o tempo não dá para tudo e o meu tem sido curto mesmo estando de férias.
apesar de tudo, venho cá sempre que posso dar resposta a alguns comentários e deixar uns mimos. mas já não é o que era não é? pois, eu entendo!
tenho andado cheia de saudades tuas! há muito tempo que te ando a dizer que as coisas andam a mudar, que já nada é igual mas passa-te ao lado. é incrível como a vocês a homens, tudo passa ao lado. só conseguem aperceber-se das coisas quando estão mesmo à vossa frente ou então quando já caíram nelas. que erro tamanho, deixem que vos diga. já fiz de tudo para que percebesses que os hábitos não podem ser mudados de um dia para o outro, que não entrar e sair quando queres, usar quando não há mais ninguém. achas que sou um boneco? posso ter cara disso, mas não tenho o corpo e alma. deixa de ser assim. acorda para a vida de uma vez por todas! faz alguma coisa por ti, não te deixes arrastar nas horas, luta por alguma coisa, não escolhas ir pelo mais fácil. caramba, dá o mínimo de ti que já vale tanto. mas eu já nem digo mais nada. estou cansada de usar sempre o mesmo vocabulário contigo, de pensar em todos os discursos possíveis com as mesmas palavras para ver se de uma maneira ou de outra as coisas entram na tua cabeça; nada feito é sempre tudo sei efeito! o que não muda é o que me apetece todos os dias fazer por ti, lamentavelmente, isso não muda. não importa e não quero que importe. deixo-te solto, deixo-o solto, deixo-me solta; como já dizia ele, se eu te tiver conquistado tu voltas se não é sinal de que nunca foste realmente meu! no fundo, a vida dá muitas voltas e as nossas andam trocadas.
quando isto tudo acabar eu nem acredito! estou a dar as últimas e sinto que já não aguento mais. a cada segundo há menos a dar, menos a fazer e tudo é como se o meu esforço não fosse nada. só queria adormecer e acordar depois de isto tudo ter passado. depois da tempestade estar controlada! estou com medo, admito. tenho medo de errar, de falhar, de pensar em desistir, de cruzar os braças, de ter uma branca. sei lá! tenho medo e acho que isso basta. se acreditar em mim sei que vou conseguir, se acreditar que sou capaz eu vou conseguir! pelo menos é no que quero acreditar! e não estou só com medo deles. estou também com medo de nós. não tenho tido tempo, espaço e até nem tenho tido vontade de te ver e estar contigo. desculpa-me! sei que merecias o mínimo. mas nem isso eu te sei dar. nem tu me sabes dar nada. só quero que isto tudo vá embora e que se eu tiver de ficar cá, que fique! se não, por favor, deixem-me ir rápido que eu já não aguento. eu juro, estou a sofrer!
Passou exactamente um mês. Não consigo imaginar como tudo é tão rápido e ao mesmo tempo tão lento! Morro de saudades tuas, cada vez mais. o teu sorriso, as tuas mensagens, a tua gargalhada, o teu "estás tão linda!", os teus conselhos com a faculdade, os teus ensinamentos, a tua força, tu! E eu pedia que voltasses e todos os dias te digo que queria isso, mas não dá. Não pode ser! E eu tento convencer-me disso e imaginar que um dia, quem sabe próximo, estaremos juntas outras vez. Onde quer que estejas continua a cuidar de mim e deles, continua a aparecer e a falar, continua a deixar pistas, ouve-nos, caminha connosco! Nós gostamos disso e sabemos tão bem quando estás aqui ao lado. Acredita, nós sentimos-te sempre que estás de volta e nos abraças e confortas com o teu sorriso. Não me esqueci de nada do que me disseste, guardo a tua última mensagem religiosamente e quase que a sei de cor, letra por letra, ainda sei o teu cheiro e cada vez que fecho os olhos ainda te vejo ao longe a sorrir e a dizer-me olá! Fazes-me muito falta e agora o sinto cada vez mais. Precisava dos teus conselhos e de ouvir o que a experiência já te mostrou. Mas vou falar baixinho e sei que vou obter respostas onde menos espero porque continuas a surpreender-me em todo o lado, quando menos espero! Isso não mudou nem nunca vai mudar. Minha princesa, minha estrela, minha luz, minha estrada e gosto muito de ti, como sempre vou gostar, aconteça o que acontecer! p.s.- ainda não me esqueci do que me prometeste quando os exames acabassem, vou ficar à espera! tu sabes *
(hoje o dia é teu e não podia deixar que fosse passado em vão!)
A morte não é nada. Eu somente passei para o outro lado do Caminho.
Eu sou eu, vocês são vocês. O que eu era para vocês, eu continuarei sendo.
Me dêem o nome que vocês sempre me deram, falem comigo como vocês sempre fizeram.
Vocês continuam vivendo no mundo das criaturas, eu estou vivendo no mundo do Criador.
Não utilizem um tom solene ou triste, continuem a rir daquilo que nos fazia rir juntos.
Rezem, sorriam, pensem em mim. Rezem por mim.
Que meu nome seja pronunciado como sempre foi, sem ênfase de nenhum tipo. Sem nenhum traço de sombra ou tristeza.
A vida significa tudo o que ela sempre significou, o fio não foi cortado. Porque eu estaria fora de seus pensamentos, agora que estou apenas fora de suas vistas?
Eu não estou longe, apenas estou do outro lado do Caminho...
Você que aí ficou, siga em frente, a vida continua, linda e bela como sempre foi. Santo Agostinho
Estrela, desculpa não ter coragem de me despedir de ti! Sinto-me muito fraca para isso e eu sei que me desculpas e que sabes que estou contigo da mesma forma que estás comigo. Cuida de mim nesse lugar onde estás. Eu vou lembrar-me do que sempre me disseste e guardar o teu sorriso como a melhor arma do mundo! És um anjinho, o meu anjinho da guarda. Até já, vê-mo-nos por aí.
quinta-feira, 21 de abril de 2011
Por vezes a minha dor é esmagadora, e embora compreenda que nunca mais nos voltaremos a ver, há uma parte de mim que quer agarrar-se a ti para sempre. Seria mais fácil para mim fazer isso porque amar outra pessoa pode diminuir as recordações que tenho de ti. No entanto, este é o paradoxo: Embora sinta muitíssimo a tua falta, é por tua causa que não temo o futuro. Porque foste capaz de te apaixonar por mim, deste-me esperança, meu querido. Ensinaste-me que é possível seguir em frente com as nossas vidas, por mais terrível que tenha sido a nossa dor. E à tua maneira, fizeste-me acreditar que o verdadeiro amor não pode ser negado.
estou a dar voltas ao meu cérebro e ao meu coração para tentar perceber o que é que aconteceu! acredita que não sei. já revi todos os momentos, já coloquei todas as imagens numa folha e nada! e eu acho que é isso: não aconteceu nada! simplesmente quiseste que eu ficasse assim! triste, desiludida e a cima de tudo sem vontade de te falar mais. mas o maldito amor que sinto por ti é tão forte que estou prestes a ligar-te e a dizer-te que sim, que te adoro e que quero ficar contigo para sempre. e este seria não o teu, mas o nosso presente de natal!
Tenho sentido arrepios na alma como se lhe tocasses com os teus finos dedos gelados e num breve choque térmico tudo mudasse. Tens estado aqui por perto, aqui ao meu lado. Eu tenho sentido os teus passos como se da realidade se tratasse, e como eu tenho pena que assim não seja. Mas tens cá estado e só isso tem-me confortado! Admito, não me conforta em muito saber que tens cá estado mas que não me tens dito nada, que não me disseste o que tens feito e que vinhas ver-me. Também sei que não o podes fazer e que se de alguma maneira tentasses eu poderia não entender! Mas fico feliz por teres vindo e me teres feito sentir-te em tudo quanto é parte mais do que em qualquer outros dias. Acho que são das saudades que sinto de te ter por perto, de poder ver os teus olhos grandes cor de mel, de os ver brilhantes e apaixonados a dizer-me que ainda estás vivo, de sentir o teu toque e o palpitar equilibrado do teu coração a afirmar que ainda te dá vida, conseguir tocar-te, beijar-te e abraçar-te. Sinto tanto a tua falta! Nem consegues prever o quanto a sinto. Até acredito que a minha alma a sente mais que eu, mas eu sinto as saudades a pesar no peito e a querem a todo o custo ser atacadas por recordações guardadas no meu íntimo a sete chaves sem que eu tenha maneira de lhes dizer que não! Tenho sentido arrepios intensos e duros, tenho sentido a minha mão a ser segurada com muita força, tenho sentido o meu cabelo a mexer-se que o vento exista, tenho sentido um cheiro a perfume de amor, tenho sentido aquele toque mimado e gélido nos meus ombros, tenho sentido o corpo de homem ainda rapaz, tenho sentido as saudades num coração que já nem se sinto! Mesmo depois de apareceres sem aviso prévio e sem hora marcada, quero dizer-te que te adoro como no primeiro dia e o que o meu é ainda o teu mundo.
Precisava imenso de ignorar o que me faz mal e o que me deixa chateada, o que me consome as energias e me deixa à deriva! Adorava conseguir fazê-lo, mas isso não faz parte de mim. Se alguém o conseguir fazer por mim, por favor, faça-o porque eu estou a morrer de tédio. P.s.- só mesmo o meu cigarro para me ajudar a desligar deste mundo ~
tenho ficado todos os dias sentada na minha janela a ver se passas! mas tudo o que passa é o tempo e com ele as memórias de tudo o que vivemos juntos. acho que são essas as únicas certezas que me fazem acreditar que um dia ainda podes voltar, as certezas de que um dia me disseste que ainda me ias dar a lua e a pintei para ti. são essas memórias que de vez em quando me visitam a alma que me fazem sentir as saudades no ar, a dor no peito e o vazio do meu lado. parece que sempre me vai faltar uma peça, uma mensagem, uma esperança como se tudo o que tinha o tivesse deixado partir contigo. e agora, não sou capaz de começar uma vida nova sem me despedir de ti como deveria ser. espero por ti, todos os dias ali me sento como se tu algum dia fosses aparecer nem que fosse numa simples passagem. espero como se soubesse que voltas e que voltas para mim.
hoje o tempo escureceu rapidamente e eu tive de voltar para dentro. fechei os olhos e imaginei que tinhas vindo e como ainda podíamos vir a ser felizes. pena que tudo não passe de um sonho, pena que tenham sido apenas promessas, apenas sonhos, apenas mentiras. eu adoro a maneira como me mentes, como mentes e como a mentira soa a verdade na tua boca! eu adoro as tuas mentiras e são elas que dão vida às minhas verdades.
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
precisava de ter silêncio absoluto e ouvir o meu coração como ouço o teu: a milhas de distância! mas ainda não sou capaz disso e estou mortinha que esse dia chegue e valha-me Deus para que esse dia seja já amanhã. se não for, de mal o menos, há quem diga o que o teu coração é o meu. mas sinceramente isso não é verdade e eu sei que não é. gritos, berros, lágrimas, preces e tudo o que consigo sentir é o meu corpo a deixar-se levar numa decadência sem limites que eu já não sei controlar. silêncio, por favor, dá-me silêncio. por favor, dá-me paz!
O meu tempo não me deixa estar contigo! Não me perguntes porquê que isso é assim, porquê que o meu tempo é diferente do teu porque eu não tenho respostas. Começo mesmo a achar que não penso, que não sei nada e que não faço nada bem. Anda tudo aos contrário do que eu preciso e do que eu quero. Eu dava tudo para poder sair agora de casa e correr para os teus braços, perder-me no teu perfume de outras aventuras e dizer-te ao ouvido "finalmente estamos a sós!". Mas tudo o que eu quero fica assim, por concretizar! Fica tudo em sonhos patéticos de um mundo que não é o meu e depois, quando acordo, dou por mim a correr para um deserto de emoções estragas e perco-me sem rumo certo.
gostava de o poder negar, nem que fosse para dormir umas horas descansada, mas o que eu queria neste momento era um beijo teu! daqueles que só tu sabes dar, daqueles que me levam ao espaço e me trazem de volta em meros segundos, daqueles que me fazem sentir o teu carinho, daqueles que são teus e apenas teus. e ainda me lembro do primeiro, daquele que me vem à memória em todos os sonhos reais que vivo dentro de mim. lembro-me como se fosse hoje, como se não houvesse outro igual e como se o único que me desse vida e alma fosse o teu. gostava de o poder negar, juro, eu gostava! mas já não consigo e por isso, sem qualquer tipo de medo, eu admito que preciso de um beijo teu agora, agora. até já * p.s.- é pena que eles só venham nos sonhos
Tenho sentido a tua falta! Não sei porquê que ainda a sinto se jurei a mim mesma que te tinha esquecido e que já fazias parte de uma história passada. Pelos vistos andei, mais uma vez, a enganar tudo e todos com as minhas falsas crenças. Mas se ainda não te esqueci e se ainda sinto a tua falta, não consigo entender onde irei buscar as forças que preciso para virar a página. Talvez esteja a precisar de parar de dizer o verbo esquecer em todos os tempos para me acreditar de um possível esquecimento que não ocorreu e começar a construir outra história! Uma história onde eu sou protagonistas e tenho a capacidade de decidir tudo o que posso ou não fazer. Talvez seja isso! Depois, mais tarde, conseguirei andar por todos os lados, ouvir todas as músicas, ouvir os outros e fazer tantas e tantas coisas sem me lembrar que em dias anteriores as fiz contigo. E ai, ai sim, poderei dizer que te esqueci! p.s.- os sonhos vão com as bolas de sabão.
"Eu queria-o a ele, ele queria-me a mim e a outras; eu sofria, ele não ligava; eu chorava, ele ria; eu falava, ele não ouvia; ele mentia, eu acreditava; eu esperava, ele não voltava; eu queria uma relação séria, ele só queria divertir-se; eu demonstrava os meus sentimentos, ele brincava com os meus sentimentos; eu sorria para ele, ele ria de mim; eu acreditava em tudo que ele dizia, ele dizia o mesmo às outras; eu iludia-me, ele alimentava a ilusão; eu esperava por ele, ele já estava com outra. eu amava, ele gostava; eu fazia tudo por ele, ele dizia que não se contentava com tão pouco; eu achava que ia dar certo, ele tinha certeza que ia dar errado; eu queria-o para sempre, ele só por um momento; eu entregava-me, ele evitava; eu dizia: eu amo-te e ele apenas sorria; eu procurava um príncipe, ele procurava a próxima. eu queria "O", ele queria "UMAS". ele descobriu que eu era a ÚNICA, eu descobri que ele era só MAIS UM."
desculpem nunca mais cá ter vindo nem ter dado notícias! ando desiludida e com alguns problemas e então não tenho passado cá, não tenho vindo escrever, desabafar e dizer umas quantas coisas que me enchem a alma. peço desculpa a vocês que me seguem, que me lêem e que sabem tão bem o que eu sinto em tudo o que digo e no que está para além disso. eu adoro-vos e pensei sempre em vocês, acreditem. mas não estava bem e então não tinha forças para ir cá. agora eu prometo que vou escrever mais e melhor, para mim e para vocês! um beijinho da vossa lá LOVE
precisava de uma boa noite de sono e de um dia sem preocupações, onde paira-se a paz e a verdade! mas tudo o que me dão são dias de inglória e de vidas passadas em mundos de cá e lá. estou saturada e preciso de tirar uns dias de férias. férias de mim, de ti, de nós, de vocês, do mundo! quem sabe se não volto rápido, quem sabe se volto já a seguir. mas o culpado disto tudo, esse culpado obscuro e sem limites, és tu! tu e só tu, meu grande inseguro.
Um dia pegas-me na mão e levas-me. Levas-me para lugar nenhum, levas-me sem destino. Levas-me contigo, só, sem mais nada. Um dia deixamos tudo e fugimos juntos.
Hoje, numa visita ao site da revista CARAS encontrei a notícia de que o filho de Paulo Sousa e Costa morreu na passada semana vítima de um leucemia fulminante! Paulinho, assim se chama este pequeno herói completaria sete anos de idade no passado dia 28 de Setembro e como forma de o celebrar, o seu pai Paulo Sousa e Costa escreveu-lhe uma carta que foi publicada na revista CARAS. Ao lê-la, achei que devia partilha-la com vocês para que durante o tempo que a estejam a ler e nos minutos depois possam pensar que perdemos tempo com coisas sem sentido nenhum, que achamos que temos problemas atrás de problemas e que nada faz sentido na nossa vida enquanto que no mundo inteiro ou até mesmo ao nossa lado, estão pessoas que lutam segundo a segundo para sobreviverem a coisas bem difíceis, pessoas que não têm um sentido para a sua vida, pessoas que realmente não têm nada! Peço a todos vocês que sejam vocês mesmos ao ler esta carta e que acreditem em toda a mensagem que nela está depositada e como diz Paulo Sousa e Costa "Desistir não é uma opção!".
A carta:
"A opção desistir de mim... e de ti!
Querido Dragãozinho Azul (mais à frente vais perceber porque te estou a chamar assim...), sim, estou a chorar a tua partida, mas repara que tenho feito tudo para enfrentar a maior perda da minha vida, com a força e a coragem que sempre te tentei passar! Sei que estarás muito orgulhoso dos teus papás pela forma como têm lutado, desde o primeiro segundo em que entraste no hospital... Tudo o que fizemos até aqui foi decidido e feito em conjunto, pelo amor que temos por ti. A tua mamã e eu chorámos abraçados a tua notícia, entrámos de mãos dadas no crematório e foi agarradinhos um ao outro que te deixámos no mar. Ao som da tua música preferida "No One" da Alicia Keys, juntos tocámos nas tuas cinzas e nos despedimos de ti. Gostava muito de te poder dizer que a dor tem sido amenizada com o passar dos dias, gostava de poder dizer que tenho tido mais força com o passar do tempo... mas estaria a mentir. E entre nós nunca houve mentiras, a nossa linda cumplicidade não permitia isso! Vivo um segundo de cada vez sem saber como vou estar no segundo a seguir. A minha vida deixou de ter dias, passei a ter apenas um aglomerado de segundos sem nunca saber o que irá acontecer no segundo seguinte... Luto para manter a vontade de viver, na certeza que já não tenho prazer em viver! Tenho-me lembrado muitas vezes da frase que tantas vezes te disse nas tuas corridas de karts "Desistir não é uma opção!". Quantas vezes te disse isso ao longo da vida, fosse a montar um lego, fosse a fazer os trabalhos de casa, fosse a trepar uma árvore mais alta? Nunca te deixei desistir, porque nunca fora uma opção de quem quer ser homem com H, como tu sempre quiseste ser! Naquela cama do hospital, durante mais de 14 horas, pedi-te ao ouvido, milhares de vezes, para não desistires!!! Mas tu não conseguiste resistir. Não querido, não estou por isso desiludido, porque sei que não desististe. Apenas estou revoltado porque não te foi dada hipótese para lutares mais! Agora passo os dias a lutar também para não desistir e digo vezes sem conta "Desistir não é uma opção! Desistir não é uma opção!". Adorava conseguir acreditar nisto com a mesma intensidade de quando te o dizia... Acho que a única forma que para já encontrei para não desistir foi tentar ultrapassar uma barreira por dia. Todos os dias tenho uma meta a cumprir. Hoje já consigo entrar no teu quartinho. Hoje já consigo olhar para as tuas fotos. Já tive forças para tirar a tua cadeirinha do carro... A barreira que decidi ultrapassar no dia de hoje é ter tido a coragem de te escrever esta carta, no dia em que farias 7 anos! Mas faltam-me muitas outras barreiras para as quais vou precisar da força que só tu tinhas o poder de me dar. Sei que sempre fui uma pessoa forte nas maiores adversidades, mas, querido, todo o homem tem o seu tendão de Aquiles. E eu, apesar de desde o primeiro momento em que tudo isto aconteceu andar a fazer de Super Homem, sinto, a cada dia que passa, que a tua ausência é a kriptonite que me retirou os meus "super poderes"! Tenho a consciência que tenho sido um felizardo em termos de apoio. Não há um dia que não tenha dezenas de chamadas, mensagens e mesmo abordagens na rua de pessoas amigas ou desconhecidas que nos querem bem. Desde o primeiro dia recebemos centenas e centenas de mensagens! Até o nosso Presidente Pinto da Costa nos enviou uma carta a dar-nos força, onde te chamou "Dragãozinho Paulo" (agora já percebeste porque comecei esta carta a chamar-te Dragãozinho Azul...). Já falámos por telefone e disse-lhe que foste cremado com o teu boneco com que dormias sempre, com o teu livro de histórias preferido e... com um cachecol do F. C. Porto! A Carla, a nossa Carlinha não me tem largado um segundo! Nem a dormir me larga a mão. Gostava de lhe retribuir a força que me tem passado com pequenos gestos de carinho, mas neste momento apenas sinto um vazio dentro de mim e não consigo ser quem sempre fui. Resta-me a certeza de saber que ultrapassar esta fase sem ela seria, muito provavelmente, impossível! Espero que todos os homens que passem por isto tenham ao seu lado uma mulher como a Carla! Tenho lido todas as centenas e centenas de mensagens que recebi, nelas tenho conseguido encontrar a energia para o segundo seguinte. É impressionante a quantidade de pais que já viveram este pesadelo. Andes por onde andares, sempre que encontrares uma criança, dá-lhe um beijinho e diz-lhes a todos que têm uns papás muito corajosos cá em baixo! Todas as pessoas me têm dito, sem excepção, que foste para o Céu. Quero acreditar nisso mas o meu amor de pai ainda não me permite pensar/aceitar para onde foste, apenas consigo pensar/chorar onde não estás... ao meu lado! Todos me dizem que agora temos um anjinho no Céu a olhar por nós, mas eu preferia mil vezes o meu diabinho de caracóis na terra! Recebi ainda mensagens a dizer que tenho sido uma inspiração para os pais deste país... fico lisonjeado, mas na verdade apenas quis ser uma inspiração para ti meu filho, em vida! Espero continuar a sê-lo! Sei que fui um privilegiado por ter tido o prazer de ter-te como filho. Espero que leves contigo a alegria de me teres tido como papá! Paulinho, meu amor, não sei quando nem onde nos vamos voltar a encontrar, mas prometo que vou tentar continuar a colar os meus segundos, como se fossem os teus. Quero e vou continuar a sofrer-te para sempre, até porque, no dia que deixasse de o fazer estaria a esquecer-me de ti e isso é impossível! Mas espero que um dia possa voltar a encontrar a alegria de viver, que sempre nos caracterizou aos dois. No dia em que partiste não levaste apenas o teu sorriso... levaste o meu também! Mas sinto que se desistir de mim, estarei a desistir de ti... E como sempre te disse, "Desistir não é uma opção!".
Amo-te MUITO! Papá
Ps. Não fiques triste por não estares cá no dia de hoje. Vamos fazer na mesma um jantar de aniversário com todos os nossos amigos e, claro, com a tua mamã. Hoje e sempre vamos estar a pensar em ti!"
Onde quer que esteja o Paulinho, deixo aqui ficar a sua música preferida para que ele a possa sentir de novo e ao seu Pai, desejo toda a força do mundo e que continue a lutar segundo após segundo porque é sem dúvida um SUPER-PAI!